terça-feira, 24 de agosto de 2010

II. farsa

não se passava um dia sem que o menino se auto promovesse sob a rigidez e a imponência de seus passos. seu repertório era vasto, mas tudo parava num ponto de interrogação: o menino não criava. quando decidia finalmente se entregar de peito à vida, era tudo sobre o lamento; a insistência da insegurança e da crueza, o descrédito e a intromissão. o menino, que era belamente esperançoso, profetizava uma melhora próxima. paixão. sexo.

uma pena, ele não tinha nem pai nem mãe nem avô nem irmão nem professor, vivia sem método, um hábito infeliz segundo os ensinamentos kardecistas, distantes estes. a vida emprestada a ele era sobre a militância de um solitário puramente passional cuja intenção era vampirizar a alma sem corpo que estava encarregada de o levar até o único pacote que o esperava no dia do juízo: a tragicidade da ausência do amor.

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