domingo, 22 de agosto de 2010

I.à luz da nona de beethoven

era uma vez um menino. ele vivia num mundo de provações cujo tamanho era só mais um elemento completamente enganado dentre as doutrinas do pobrezinho...esse garoto, de nome esquecido com o passar do tempo de subversão que vivi, deixava meu deus num espantoso desarranjo quando resolvia trocar de pele à luz de falsos brilhantismos da nova geração de agonia.

precisei de contados trinta e seis dias pra notar alguma falha estrutural no menino que vivia extasiando gargalhadas descomunais pelo meio do povo. a falha: pequena mas catastrófica. presenciei infinitos escorregões, mas o do trigésimo sexto dia foi fatal. ele ordenou no mais alto dos acordes do imperativo do verbo: "mentirosa!". e foi o fim. fiz respirar meus poros imediatamente, que de dilatados que agoniaram, se deixaram à mostra e então o menino conheceu o meu desespero. começaria aí um novo tempo de servidão inevitável: o menino imputou a mim a insuportável medida de sua vida. eu repetia, em latim tardio, "Complacentia, dio, complacentia". mas o tempo insistiu, impune; ali começava a caminhada sem motivos e sem missivas de uma condenada pelo mundo por incapacidade de raciocínio lógico essencial à vida, caminhada que só teria fim dois anos depois, no primeiro aniversário de sua morte.

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