domingo, 19 de dezembro de 2021

F.Y., uma fada

 "se querem saber realmente, eu tenho exercitado intensamente a condição de ser livre e acho que - dentro do leque de possibilidades civilizadas que a liberdade de escolha permite ao homem, antes que ele se transforme num macaco-cagão - sou uma bem sucedida libertária. Cansei-me desde muito cedo das obrigações. De abraçar tios e tias com halitos de alho. Passei 14 horas escondida dentro de um armário, só para não ser obrigada a encontrar com familiares em visita. Já me fingi de oligoide para não ter de brincar com um filho de amiga de mãe; fiz cara de monstro, babei. Fiz olho branco de epilético. Eu simplesmente não queria brincar com um imbecil e não brinquei. Essa sou eu, supersimples. E nao suporto ser contrariada. Pois a vida ja é tão dura. Enquanto escrevo, por exemplo, sinto uma corrente de ar frio batendo nos meus ossos.

(...) não quero personagens, não quero traçar o dia de mais ninguém; não quero ser Deus, renego o poder de atravessar anos e voltar, e ir adiante - como o escritor pode tudo, é o artista mais temido do mundo; é dele o mundo; e eu apenas quero escrever minhas abobrinhas emotivas. Sobre o quanto acho inútil viver essa vidinha cercada de falsos, falsos que nem me mandam flores."

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