Crônica da revolução brasileira
Dia de agitações entre os suicidas, é que o sol sumiu há tempos.
Penso sentada às 5AM,com as pernas mortas
e trançadas
No o chão gelado em meados de Junho.
É o ofício da classe:
Adornar nossos mortos de ode e elogio
Miseravelmente publicados
Enquanto eles inventam estômagos cada vez mais eficientes em nos digerir, a todos
Que mesmo tão mirrados,
em francas decadência e resistencia ao cansaço
É o milagre do deus inventado:
Pílulas, amor próprio, gadgets, embrulhos, o eu faço
Enquanto não há mais poema possível
Porque as coisas não cabem.
Hoje, dentro e fora já foram proveitosamente superados
Já existem tantos desdobramentos de tudo...É possivel, num dos truques, curiosamente: amar a si ou ao outro, mas somente amar é cafona porque não desdobra. Também há um malabarismo, esse mais perigoso: fazer sexo consentido ou não consentido, porque o estupro seria a indelicadeza de não pedir licença. Outro truque, de que me lembrei agora: falar barbarismos na lingua é sinal de decência moral e cívica, por isso é de mau gosto a correção que avança o sinal da decência de modo a deslocar as coisas como estão. A grande atração é um mágico que faz brilhar as coisas mais podres e vis enquanto o público come pipocas açucaradas e as coisas mais podres e vis não ficam com aquela cara de casa que precisa de água limpa ou dentes. Também há os desdobramentos de termos percebido que há séculos não saímos do bairro, mas esses desdobramentos são do tipo mais difíceis de explicar num poema. Contei cinquenta homens feridos andando apassos firmes na rua de cima, tinham as caras furiosas mas andavam juntinho uns dos outros.
Estariam em marcha?
Assento os restos das coisas vivas:
desenhos rascunhados e pedacinhos das peles dos dedos.
Não há continuidade nem nisso
Nem nos vídeos caseiros em que, mal alimentados, brincamos de estátua
No fundo do fosso,
Rodeada de lodo,
Enquanto batalho à custa das minhas próprias pernas
E espero nervosamente a redenção
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