
decidi dar nome ao boi porque tô cansadíssima de patifaria por aqui.
quem te deu o direito supremo de sair por aí chutando as cadeiras da festa?
quem te deu o direito de me deixar olhando pra parede, chupando o dedo mindinho
quem te deu o direito de chorar as mágoas numa festa? eu esqueci de te mostrar o polegar!
num sinal de "jóia rara" que tu és e nunca deixará de ser
cujo coração impermeável se ajoelha ante o saber
e, por culpa do ímpar intelecto
esquece que o amar é astronomicamente longe do beijo
e tão perto do olhar que quando acaba por amar
se cruza, se olha, se funde e se atira
numa dança ríspida e primeira
e única e eterna
parece que só se ama uma vez nessa vida...
quem te deu o direito de duvidar do que te olho e te acalento
dizendo pra ti que tu és o meu grande sofrimento?
deixo então a palavra andar pelo meu peito, garganta e dedo
e aqui te escrevo poeminha ralo, porém singular
onde nada sei como nunca soube e fico em polvorosa
quando tenho a oportunidade de saber
porque não quero nheconheco terapia solução classe média em ascensão
quero amar-te eternamente, livre, nos assoalhos
não te ter ou te ter, independe
indepente do seu eterno lamento: "sê sincera, coelhinha, sê sincera"
sou sincera contigo, meu querido, meu amor é infinito
se pareço louca desvairada e falo nada com nada
é porque bem sei que louco é quem me diz e não pinta o nariz
quando dá vontade
e não empurra
quando dá vontade
e não vive
porque não tem nunca muita vontade...
mentiroso é quem me diz, que tem discurso lírico e no fundo infeliz
e quando escreve cartas as destrói e as esquece
não publica e amortece
a mão e a culpa, pra ficar sempre estável contando historinha de viúva
e por mais que vá sentar numa pedra lá longe e enxergue um cinturão em volta de si
é tão, tão distraído o meu marido
que além de não perceber os beijos que o atiro quando o encontro
não percebe igualmente que aquele cinturão tá travado em volta do pescoço
e tá enroscado desde que você dormiu e ficou encurralado
com essa nova idéia de me oficializar na high society
querendo passeinho de barquinho de patinho dominguinho
eu não gosto de diminutivo, homem!
quer me arrancar o vestido no meio da festa e me engolir, é?
também quero e ainda o faço
(se sólido fosse come-lo-ia, como solido és, come-te-vou?)
sei que em alguns pontos teus encontro grandes decepções
mesmo sabendo que no fundo quem mente é você, eu só atuo
e atuar faz bem pra não ter rugas na meia-idade e pra ganhar flores todo sábado e domingo!
sou atriz do mesmo circo que você, só que eu desembesto a falar e você desembesta a crer
daí quando percebe que o circo esfarelou e a vida virou farra
beija aqui, beija acolá, beija aqui, beija acolá, todo tonto
e não sabe que eu sei de tudo
e que essa boca aqui você não beija enquanto não se retratar
pela infelicidade que tem me causado
nessa cisma de discurso "eu vou cansar de tentar"
quando na verdade verdadeira,
besta é tu.
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