escuta "loving you" da shirley horn e chora comigo? não? nessa hora o que dói não é o "não" pelo qual suas mãos e mil bocas me atropelam violentamente, o que dói é saber que esse "não" é minha - totalmente minha - dedução desesperada. você não disse que sim nem que não nem que talvez, tá me cozinhando em banho maria, ai, tá ardendo! não nos atendemos nem nunca nos entendemos, daí eu totalmente desconheço o amor e me irrito toda hora com o meu humor e os alheios.
te liguei, você viu? de repente você vem e só me dá boa noite de um jeito que só eu conheço: "boa noite, meu amor, só tô de passagem, não quero estender o assunto pra gente não se atrapalhar, tá tudo bem, fica em paz, eu tô me espiritualizando aqui nos cafundós do judas, judas não! jesus cristinho da silva, tá tudo bem, tô ótimo..."
desde que eu me descontrolei e te gritei a verdade que a minha história escondia em você, você resolveu se espiritualizar. assisti um filme, você diria "que bobagem esse filme, gosto de woddy allen", mas eu gostei. não sei se gostei porque era conveniente ou se gostei porque gostei, mas o nome do filme é "comer, rezar, amar" e numa hora sonolenta eu descobri uma coisa a meu respeito (julia roberts me contou): eu fujo fujo fujo do amor porque me descontrolo sempre que amo. mas o procedimento certo numa hora de loucura amorosa é abraçar a piração com todas as forças, já disse o guru de julia roberts: "pra mantermos o equilíbrio na nossa vida precisamos nos desequilibrar quando o amor chega" e puf! chegou faz tempo, daí eu adiava, assustadíssima com tudo que vinha com ele: os almoços, vinho, música, casa de campo, nudez, poesia...
tudo que diz respeito ao amor é divinamente atraente, eu sei, mas à medida que não resistimos a essa atração, mergulhamos num oceano profundo de gozos e dores tão, mas tão gostoso, que a espiritualidade, o intelecto e a saúde vão pro saco! daí quando a coisa capenga bobamente por causa do vazamento da torneira da pia, desistimos mais bobamente ainda do amor porque o presentiamos 'gregamente' com a culpa pela aridez do nosso íntimo mutável e idiota. importante mesmo é comer, rezar e amar.
então se você não me ama mais e quer andar por aí procurando temperos exóticos pro seu prato do dia, me diz de uma vez, não me convida nunca mais pra almoçar e me deixa sofrer igual uma camela solitária...
que eu vou sofrer igual uma camela solitária e careca. eu corto meu cabelo hippie! arranho essa carinha de anjo e resseco minha boca, sofro sofro sofro mas passo...
continuo te amando...
como, rezo.
rezo...
rezo...
volto a escutar jamiroquai e arrumo algum vaso de bromélia pra amar! tô tão brava...
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