Em "Queridos dias difíceis", uma parte doída de um livro do Ricardo Aleixo que ganhei da um amor irmanado e sortudo que tenho nessa vida, encontrei mais cedo uma coisa que diz o momento. Quem me conhece de pijamas sabe bem que li o manifesto comunista e coisas assim perigosamente aos 13, e mesmo que até hoje eu não tenha entendido nem o que é a vida muito menos onde desemboca o gênero manifesto, já com aquela carne noviça eu passava a perturbar meus parentes e chegados. Mesmo sem entender muito e desde então, progressivamente, emano esse desejo coletivo de libertação a tal ponto e tanto, que hoje posso me estafar com míseros dois segundos de tentativas de diálogo entre divergentes fundamentais. Hoje isso tudo contornou um nó indecifrável no meu peito (e misteriosamente ao mesmo tempo eu venho percebendo que os valores cristãos como a modéstia, a resignação e a caridade nunca pousaram na minha cabeça de água turva e tortuosa, que já tem mãe e é órfã de pai, que não tem igreja por cima nem marido dentro, essa minha cabeça ingovernável). Vejam como hesito em formular qualquer trecho compreensível sobre isso tudo, e como de fato se trata de um nó, no peito, indecifrável, emaranhado de indignações e insolência vaidosas. Um nó contornado com batom vermelho.
Mas então, posto que agora, mais do que há alguns meses, todas temos dores lancinantes, indigestão crônica, palpitações assustadoras, muita treta em andamento etc - nem vou falar da dificil convivência com as omissões de estranha e desenfreada produtividade, porque essa parte precisava era de um .doc e não tem ninguém me pagando bolsa de estudos - vai aí o encontrado poema que lansa a braba pro nosso lado de dentro, nós que somos dissidência na própria casa, ovelhas perturbadas pelo assovio tentador que vem de baixo do rebanho, do chão quiçá, nós que somos gauche na vida, mas nas mesas de bar e nas farmácias cada dia mais apaziguadas(ainda que permaneça comovente o nosso tanto sentimento do mundo):
Eu, militante, me confesso
O que eu sei sobre a causa que me carcome
O tempo e os nervos é de orelhada. O que não
Sei dou conta de procurar saber nem mesmo
Por alto. Discordo de tudo com veemência e estri
Dência para não ter que refletir sobre o que ouço
Ou leio. Empáfia poderia ser o nome do país de
Onde eu nunca saí de todo. Trago de lá a mania
De andar olhando só para a frente (para trás?) &
Praticamente todas as solidões do mundo.
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