Ressaca de ontem, o dia do "coração tumultuado como estava fora, noturno, o mar bravio".
Briga continental entre duas AK-47
Portadas por titãs enclausurados no mesmo recinto, tomado muito antes por eles próprios, por meio de uso de dentes finos e enfileiradinhos
No berro, no breu, castelo tomado com os dentes, pelo ajustamento, pelo aviltamento.
Como que regulados pela ordem, mas pra assuntar finalmente os anseios esbaforidos de seus corações agoniados com...a ordem.
Como pode alguém morder o próprio rabo?
Ontem, nossos heróis, nossos titãs, brigaram como dois cães malditos.
Hoje, ele disse: "gostaria que dormissemos separados, pelo rito, pra eu entender que preciso ser um companheiro melhor. Sem o rito, enceno que está tudo bem, me acomodo". Ela, em estado de choque térmico, quase muda, quis dormir no sofá, e não dorme. De novo, um vai embora onde o outro quer pernoitar, um estanca onde o outro quer derramar. Os corpos de ambos, doídos, de extremidades calejadas e secas, suspeitam que são esmagados pela própria obra.
O orgulho não lhes deixa fresta por onde passar a fome de redenção, de que toda gente simples é dotada no fundo de sua alma quando é tempo de guerra. O orgulho amoroso faz com que belisquem a si mesmos seguidamente, como que buscando reação, ou um espasmo que fosse, tamanha é a bestialidade despertada nas pessoas pela opulência de sua florada no meio da sala de estar, uma florada repentina e viril, mística e estratosférica, absurda e extraordinária, de arrebentar os ladrilhos do chão num só golpe impiedoso.
Billy finalmente bateu na porta aqui, foi entrando, subtraindo as formalidades, caçou em nanosegundos um pano pra ir se secando da chuva enquanto berrava: "como alguém pode morder o próprio rabo?!", e de seu semblante arregalado brotava úmido um riso largo, curioso que usava botas prateadas o que só percebo tanto depois necessariamente admitindo o estrelismo de seu riso, Billy, por onde você andava porra?, e o riso não se continha no pêndulo com a testa arqueada, o riso pesava carregado do inefável acordo com o Destino, e Billy sustentava a chacota com a minha cara de idiota, com a charada, com o timing. Sabia porque eu tremia. Billy ainda arruma tempo pra me deixar juntar os papéis numa pilha enquanto abre o vidro de biscoitos, e reclama que estão mofando quando se dirige à mesa e se atreve a ler onde percebe que a folha ainda está morna. A desgraçada maravilhosa então me diz, enfática: "você ta batendo punheta com o dicionário de sinônimos de novo? Vou te levar agora pra rua"
O silêncio na casa, eles tentam dormir. Num adro, nuvens passam, e o amor teima na seca. A planta ali, viva.
A televisão me acorda, o dia não podia estar mais claro, minhas pupilas devem ter queimado ontem e procuro meus óculos, onde está Billy?, uma mulher de topete e coletinho anuncia os lançamentos da semana, dentre eles o feat entitulado "O amor no começo do século XXII: relatos de viagens de expedicionários finlandeses nos tropicos-laboratorios"
Afinal, a flor majestosa and orgulhosa do amor-neste-mundo descoberto, que é um espécime atualmente cultivado somente nos laboratórios finlandeses (mesmo que outrora abundantemente encontrado em toda a extensão tropical do Globo), é noturna e derivada da disforme maturação de troncos que já foram frutíferos. Como se viu na famosa incursão de exploradores pseudocientíficos na rara selva do insustentável, em 2102, é uma flor que "cintila a partir das beiras de seu centro - escuro, aveludado e engolidor de vespas - fazendo luz nos caminhos rasteiros entre acúmulos de pedregulhos lapidados pela água corrente de beirinha, que se abastam em fins de tarde, no verão, quando as flores não só sobrevivem como ficam mais graúdas sob a água. De tal modo doiradas são suas pétalas estendidas em volta do centro atrativo, que é árduo ao viajante mais novo e ambicioso se aprumar frente à tentação de arrancá-las todas, uma a uma, e engordar suas bolsetas com as pobres venenosas." O bioantropólogo (e mestre Reiki) Hans Altühherr, integrante do grupo pioneiro de exploradores de 2098, ainda comenta que, quando os mais jovens tomavam conhecimento da propriedade venenosa do amor-neste-mundo, "transtornavam suas intenções iniciais por meio de conversinhas demasiado elogiosas, convertendo-as em moeda de troca com os guias locais de modo a tentá-los, sorrateiramente, a conseguir algumas petalas do espécime mais tarde. Sua intenção transtornada era que, com o extraordinario veneno, fossem estimulados a ejacular com paixão e arrebatamento, como só puderam fazer seus ancestrais menos imediatos que, uma vez impedidos em todas as instâncias da auto-compreenssão, mataram-se todos de uma vez, lançando sobre as beiras de riachos um extenso manto de florzinhas douradas, de centro escuro, que alimentam-se da vespa mais perigosa gerada pelo colapso nuclear do começo do século passado"
Billy puta que pariu onde você tá. ✓✓
Billy é quente a casa tá caindo aqui na quebrada tão falando que a água do Tietê vai subir mais dois pés essa semana ✓✓
Billy nem cola, cansei ✓✓
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