que eu assumo e repito
flagelo, teimo e admito
sucumbo, teorizo, grito...
entorto, retomo, e finalmente silencio
construo, destruo, suspiro
mando, recebo, digiro
"a palavra é um crime" que eu cometo
e, com vigor, dirijo
(tem as vezes em que me empurro e empurro a palavra.
acontece.
é dourado e lindo)
(tem as vezes em que me empurro e empurro a palavra.
acontece.
é dourado e lindo)
a palavra é um mundo:
que eu digo
e que, quando não,
respiro
a palavra é a necessidade de sigilo
de tentativa infeliz
sobre a feliz e rara sensação de estar vivo
a palavra é uma catástrofe
linda.
eis a única tragédia mensurável:
acontece no espaço de um gesto
comentável...
barbarizo!
a palavra.
é a janela, o chão e a porta entreaberta
o caminho pro indeterminado,
a coberta.
a palavra não basta,
mas assim nada o faz...
então a palavra suspeitou e, perspicaz,
olhou mais alto
e mergulhou pra dentro:
a palavra é feito o vento
não cabe, não fica pequena, não se emancipa:
a palavra é a consistência da tentativa
a palavra é somente,
é aderente,
intagível: um suspiro
não se abafa, se existe verdadeira, com nada
eis a cálida palavra
que pulsa, puxa e embala
da música do estar, a escala
a palavra mancha
e limpa
derrama
e engravida
deságua:
é sobrevida.
e isso tudo seria muito doído não fosse a bondade da palavra:
ela não dá conta de explicar absolutamente nada
e isso tudo seria muito doído não fosse a bondade da palavra:
ela não dá conta de explicar absolutamente nada
O desespero da palavra... Tem coisa mais linda que isso?
ResponderExcluirArrepiou todo meu corpo. Magnífico.
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