e de meus dedos! meus dedos que sem querer exalam um quê bem torto de poesia e quando eu vejo já foi: perdi-me; sou nada de novo e me ponho numa tortuosa romaria.
sou romeira de minhas próprias chagas. que clichê. que clichê nojento!
vou falando bobagens com outros fantasmas de nomes azuis e laranjas, nomes sem cara e caras sem dente: vão falando bem humorados o que se sente.
nessas bobagens, conto viagens. digo certeira que moro numa casa cheia e mais entupida ainda de mim..mesma. caetano é bom, mas as vezes odeio caetano; gosto de óperas e falta de compasso. nas entrelinhas vive o instinto ("que tal darmos uns amassos?")...ah
ah...mas daí vem outro fantasma que caetano já é gagá.
e velhice é argumento? "e argumento é mentira, menina!" e que seja, que "caetano seja um pocket monstro", que ele viva! que seja doce a vida.
que seja doce. que dê pra eu levar sua doçura nos bolsos que nem tenho.
que faz a noite com o homem de são paulo!...
e vejo-me opulenta, trupicando numas palavras que me são dadas pelo divino: "nao dá pra consentir nada, parece-me. sao tudo reaçoes a coisas que por nao terem motivos nao pressentimos", e um homem desmamado questiona-me "quer dizer que só pressentimos o que tem motivos?"
vai saber. sei que vim parar aqui tropeçando no meu próprio nariz bisbilhoteiro; cheia de tédio e falta de dinheiro, vim ver se alguém reclama-se alto comigo, em segredo. e nada! bando de infecções da filosofia-estômago. bando de pensantes sem eira nem rumo de beira! bando! bando de loucos que conhecem a vida dos livros. e eu angustiada admitindo, admitindo, admitindo...trupico:
conheço nada. não conheço a vida. sei de algumas melodias, alguns paraísos, algumas meninas...mas nada sei. nem tento por ter preguiça. daí o homem que restou no jogo de bater papo (e este jogo, atentem, é um jogo de origem russa e balística), diz-me: "esse papo de não conhecer a vida virou moda."
nonde existe a moda? o que é a moda?
no tempo sem resposta visitei outra sala-romaria no chat abusivo sobre minha beatitude e tinha uma menina. choramingona que só deus...roía a boca. roía, roía, roía e dançava balé; :
que linda voce! parabens. um beijo ta? na boca roída. beijo pra adoçar o futuro intacto da boca: linda e fechada.
meu deus, meu deus, meu deus! e eu acreditando em deus enquanto isso. pensando que mesmo sem motivo (contrariando as minhas proprias palavras cuspidas) hei de presentir a cura de todo o vício. que nada! deus não está aqui nem nada.
vejo-me assim descrente, de novo, ausente, pra sempre, um paradoxo em forma de gente. vejo-me ignorante, indecente. esturricada.
nesse meio tempo de descrença, renovo-me e retomo o folego. o homem responde nada sabiamente: "é sempre a saída pós moderna da deserção ao invés do gesto corajoso de assumir o que já aprendeu". que homem herói...aprendi o humor dele finalmente. ele falava de humor, eu já disse? pois bem, ele falava. caçoando-me nao prepotente, mas com sarcasmo de afiados dentes. sugou-me a gentileza mas tudo bem, isto passou e agora eu, que antes não acreditava no humor desse homem, tomei sua máscara sarcástica num pulo tão delicado que ele não viu. (eu pretendia o jogo de palavras desde o ínício, é meu carma, é a única coisa pra qual eu sirvo):
só o fato de ele manobrar tais rótulos já me coloca numa condição muito solitária novamente.
eis a solidão.
e suas angústias madrugais mui reacionárias. que reagem somente. desesperam-se. desesperada solidão; de ter alguém que compreenda que tudo é vão...ê caetano imbecil, "ou não..."
vou virar profeta da deserção!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
<_/´\_/`\__>~ tss