ensabôo a boca mas nao mantenho a postura
embebedo-me as visceras e de contrapartida engano criaturas
é uma delícia brincar com partituras
e assim musicar o homem nas alturas
de tudo que vem e tudo que vai, derramo sobre mim..a raiva, o tédio, o amor, a compaixão, o ódio, a dor, a repulsa...equanimidade, veja bem, não adianta
sei que bem nenhum traz pra mim essas vãs tentativas
mas deixa-me tentar em vão, vida
deixa-me embebedar-me em tua barriga
e em teu falaz seio acometer-me as idas:
sou de ninguém
só de mim,
inteira,
minha
no mais,
embebedo-me porque
"se sólido fosse come-lo-ia"
no fundo tenho pena de quem crê em dicionários
e não inventa por si próprio os significados:
a palavra é respiro,
indeterminação infinita que mora em lugar algum,
portanto,
jogo-me nela e bebo na fonte
na invenção
na ponte!
entre o aqui e o além
(vivo em cima do muro
e não venha profanar...
porque em cima da terra não quebra-se nada e ainda come-se frutos
já em cima do muro
caio e quebro meus dentes, minha cara e vivo cheia de furos
...
a chuva anda tão ácida)
tenho pena dos que precisam dos outros pra fazer-se rir
quando o mais fácil é rir do reflexo gorduroso de si próprio nos azulejos
e, se você for ainda mais corajoso,
nos espelhos
(que espalham-se por aí indiscriminadamente)
guardo ódio profa(u)n(d)o dos que, ainda, não sabem ouvir
o silêncio é a única prece
e a fala dos outros o único motivo de contrafluxo
deus salve os loucos e os sozinhos
e seus preciosos carinhos poucos
pergunto, enfim:
que mal embebedar-se pode trazer?
nenhum, já que descobri
que a vertigem é o elemento neutro que tanto procuraram todo esse tempo
no fim das contas não me perco embebedando-me:
são as minhas percepções que querem me afogar
malditas
ps: eu vivo o neoantropofagismo e quero que vá pro caralho o resto,
vou sozinha e não me torrem a paciência com suas histórias mesquinhas
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