no toque dos olhos quando me vissem pintada
queria eu descobrir um pecado voraz no traço
no traço que traço conforme te azul inteira
queria eu desnudar o mormaço que fantasia a distância entre minha boca e sua orelha
(na verdade, queria eu te arrancar pedaços e desvendar-te inteira)
queria eu, acima de tudo, costurar todas as pálpebras dos olhos nossos
pra aveludar com graça sua pele em meu nariz
e me afogar de alma nesse amor infeliz
incompleto, desgracento, eufórico, honestamente recíproco e profundamente bonito
tua cara me repele e teu umbigo me chama
o etéreo triunfou sobre o eterno...de novo, em mim
meu interesse não é a pose nem a moldura do ato
quero que o enquadramento se moa enquanto eu me afogo no teu ventre
e me molho assim
indiscriminadamente
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