quarta-feira, 2 de março de 2011

nada sou, nada posso, nada sigo.
trago, por ilusão, meu ser comigo.
não compreendo compreender, nem sei
se hei de ser, sendo nada, o que serei.

fora disto, que é nada, sob o azul
do lato céu um vente vão do sul
acorda-me e estremece no verdor.
ter razão, ter vitória, ter amor

murcharam na haste morta da ilusão
sonhar é nada e não saber é vão.
dorme na sombra, incerto coração.



Fernando Pessoa, "Nada sou, nada posso, nada sigo" 1923

Um comentário:

  1. "dorme na sombra, incerto coração" Por que eu gostei muito desse trecho em especial?

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<_/´\_/`\__>~ tss