eu odeio quase tudo a seu respeito. mentira, gosto do seu cabelo encaracolado curtinho com uma flor azul pendurada, gosto mesmo...
o resto eu odeio. odeio o modo como você assiste a novela das oito e chora com aquela música deprimente e mal feita de fundo. odeio sua censura de cidadã de bom tom mandando-me abaixar o volume da música. odeio o modo lamentável como você se submete, dia após dia, à secura do meu pai. odeio suas lamentações. e odeio mais ainda quando você não as assume! odeio o modo como você finge não se importar com as contemplações e amores que não viveu por causa do meu nascimento. odeio infinitamente o seu estado artificial de auto-defesa, digo "não fala assim, querida...", e você grita: "sua ingrata!". odeio sua ingratidão...odeio com todas as minhas forças a sua demagogia de grande mulher vitimizada pelo esquecimento. e pelo cansaço. odeio quando reclama da sua barriga. e seus não amores, deixe-os afogados no passado...e leia bukowski!
como nem tudo é tudo e nem tudo é resto, sobra um espacinho frágil: te amo, mamãe.
quando li, o primeiro parágrafo do seu texto, logo imaginei que era sua mãe.
ResponderExcluire você sabe, que o livro que li da lygia esses tempos, falava justamente disso, mãe e filha. verão no aquário, chama.
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