quarta-feira, 1 de setembro de 2010

IV. palíndromos

eu sou ambígua e esse fato é consumado sob a minha calma, daí tentar associar a minha inconstância e a insistência do menino foi coisa demais pra duas almas que se abraçavam demais e se olhavam de menos. o lado grotesco do abraço, ignorando o fervor no contato dos corações, é que os olhos se desviam violentamente sem que ninguém perceba.
palíndromos: A-N-A, 29-11-92, uma loucura, o dia em que percebi essa falha de caráter a minha reação foi a mesma dos que ficam desarmados e nus nos filmes dramáticos: fiquei muda. tinha um vulcão em erupção dentro do meu peito e eu finalmente tinha encontrado uma explicação, grosseira que fosse, pra inquietação que vivia religiosamente encrostrada nos meus pés.
no parapeito da minha janela ficavam pendurados três desenhos iguais, rosas vermelhas e abastadas, eu podia sentí-las. não eram servis, eram lindas e só. num dia quentíssimo de férias de fim de ano o menino, alucinado, percebeu que eu amava mais as rosas...e as rasgou de mim.
era tudo um joguinho safado do destino.

2 comentários:

<_/´\_/`\__>~ tss