ai cristo, give me time, estou desfalecendo em saudades daquele tempo meu de coexistência pacífica, aquele arranjo harmônico de uísque, cigarro, batom e aquele chillzinho sensualíssimo, como chamava... isso,"que bonito", ai que bonito! conversas deliciosamente bem encaixadas pela não precipitação das horas muito menos das chuvas, era tudo primavera e as noites eram amendoeiras em flor e luz, mesmo com todo aquele ambiente absolutamente confortável de flores e algumas sombras era tudo, ao mesmo tempo, absolutamente corrido em luzes e vozes contentes, um delírio semi consciente e eu em multiplos orgasmos...
eu era a própria femme de chambre dos raros que se expressavam muitíssimo bem e acreditavam religiosamente na eternidade daquele instante, eu amo o raro. e continuaria servindo-os, "dionísica e possessa", como diria lygia...seria intromissão alguém tentar compreender minimamente o que se passa aqui dentro de mim quando recrio em prosa os tempos de andanças que vivi ao lado de companhias de puro deleite, nada de paranóia, ai! não existia em nenhum dos meus anjos a falsa beatitude que me bombardeia em outros convívios com aqueles indícios de verdade...
era falta de cálculo, isso! não calculei, nao calculava, não calculávamos, vivíamos em pé de igualdade e sanidade, tudo simultâneo, se nos arrepiássemos, nos arrepiávamos juntos e vivíamos amando infinitamente, aí ó, falta de cálculo!
eu tinha uma união de mãos e corações indestrutível e de tão bonito tudo, nem era odiento pensar em fim, tudo encontrava morada no campo da naturalidade; a morte do permanecer era natural a vida, assim como deve ser o tempo...
falava-se em achamento de almas no segundo exato e compatível ao segundo em que o planeta aliviou-se, quando este deixou a crise de identidade de lado pra assinar um tratado de paz com um terno e antigo amor. só faltávamos nós, todos nós juntos. saíamos sem eira nem beira nem um puto nem um lenço, caminhávamos sublimes pelas ruas e era tudo como um circo, víamos luzes, quantas luzes! bebíamos um vinho qualquer e explorávamos cada esquina, tinha uma de fantasias, uma de boas histórias pra se ouvir, uma de histórias pra se contar, dançávamos até um doce cansaço chegar e nos levar pra deitar no jardim que tínhamos inventado, ali...
longe do tempo que eu deveria ter fotografado penso que o homem é feito de medidas, assim como disse pitágoras...mas quando, em tempos de cólera, fecho as janelas da alma pra regar as minhas memórias , concluo que, na verdade, o homem não é a medida de todas as coisas, o homem nem é medida de nada, o homem é energia que se espalha pelo tempo.

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