domingo, 1 de agosto de 2010

gratuidades universais

por que as (não)relações afetivas da juventude atual não tem um mínimo de emoções? são quase todos coitados, aprisionados perpetuamente num submundo de julgamento, egoísmo, competitividade e preconceito. acham que podem tudo e na verdade não conseguem nada, sabe como é? têm carros, festas, drinks, boas roupas e até cartões de crédito! ufa...muita coisa pra quem deveria estar somente, somente pregando o amor livre!
é difícil aceitar que a carência da Nova Era será composta por ingredientes tão simples mas que não sabemos misturar: amor, humildade e caridade. eu não perco a minha fé, entende, eu só fico meio aborrecida, essas boquinhas são tão cheias de veneno que fico toda arrepiada de ver! li por aí que a maior dificuldade da chamada nova geração é manter laços emocionais, então peraí, será que não estamos topando mais aquela beleza toda de "vamos perpetuar o nosso amor, meu bem, vamos nos casar num domingo de sol e vamos ter filhos pra dar colo e dar de comer, vamos, vem...vamos festejar a vida com nossos irmãos", será?
eu percebi que isso me deixa apagadíssima, saber disso, entende, dia desses eu conversava numa mesa de bar com alguns amigos, amados porém sem muitos desejos, e quando falei em amor se iniciou uma era glacial no convívio que deveria ser feito o verão, laranja, laranja...todos me fuzilaram com palavras de baixíssimo escalão e o pior: não me ofendiam, ofendiam o amor! vê se pode, cristo, uma coisa dessas num tempo desses...depois de eu me enganar tentando reciclar os sonhos dos bobos se instalou um silêncio sepulcral nos olhos sepulcros e ficamos assim, tortos.
ai, que eu faço? grito "gente, vamos curar essas feridinhas que não são de nada!"? fico calada, permissiva? não sei, rezo, rezo bastante, rezo todo tempo. quero ver todo mundo feliz, cristo, esse povo dá importância demais aos erros alheios e vive esquecendo que o maior erro é de quem não perdoa uns tropecinhos ingênuos e vez em quando dopados, diga-se de passagem, aliás, que gente é essa que só quer viver no mundo da lua...
ô meu pai, livrai-me de todo mal mas antes livrai-me do mau julgamento, minhas intenções nunca hão de ser essas, prometo me esforçar, mas ai como sou humana e como sou frágil, infinitamente humana eu. fico vendo o povo falar bobagem e admito, penso que estão tão enganados, AMEM, eu penso, amem de uma vez, repitam comigo: vou me entregar ao amor da mesma forma que me rendo as minhas vaidades! repitam.
sei que todo mundo sabe que eu vivo sofrendo as tampas por aí mas eu choro um segundinho e paro quando lembro do miado do meu gato, preciso de tão pouco pra viver...graças a deus! e olha, o fato de eu sofrer não anula o fato de eu não querer sofrer! por que se escravizar nessa pose, meu deus?
hoje conheci uma mulher que me emocionou, seu nome, Rute. ela me seguiu correndo por dois quarteirões até me surpreender com um "moça!" ofegante...ela tinha seus motivos. Rute na bíblia é viúva do filho de Elimeleque e Noêmi, vindos do reino de Judá com seus filhos num tempo de fome. quando estes filhos vieram a falecer, Elimeleque e Noêmi voltaram para sua terra e foram atrás as norinhas viúvas desamparadas; Noêmi pediu encarecidamente para que as duas voltassem a casa de suas mães, mas Rute se apegou a Noêmi e disse: "não insistas para que eu te abandone e deixe de seguir-te. porque aonde quer que tu fores, irei eu; aonde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. aonde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada; assim me faça o senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.". conversamos por mais ou menos uma hora, mas cinco minutos me foram suficientes pra perceber que Rute, a dos olhos com tanta mas tanta água, fazia jus a moabita da bíblia, era leal e bonita por natureza, me encantou.
Rute me contou dos seus últimos dez anos vividos ali, na calçada do mundo, e os tornados passados responsáveis por isso...me disse umas dez vezes, nos seus exatos dez flashs de absoluta lucidez, detalhes inalcançáveis do meu abissal de sensações e descrevia com uma sensibilidade que eu quase não sustentei a minha missão no mundo. eu que na noite passada tinha perdido o vigor e condenado a natureza por me dar tanto trabalho toda hora! pedi ao céu, indo a terra: "não me deixa afrouxar, ando debilitada, me manda um presente pelo amor de maria, pelo amor de minha mãe..." e sem pestanejar, Jorge, que também foi citado por Rute ("filha de Jorge você né? toda cheia de escudo...você parece minha filha, Serena."), me mandou três grandes presentes: amor, humildade e caridade.
sou infinitamente agradecida pela vida que tenho e pelas que hei de passar distinta e nobremente com os meus escudos e minhas espadas - que Deus não permita que elas toquem o sangue alheio nem o meu próprio! sou gratidão pelo fim de semana de mar e vento de alívio, de verdade e muita fé; por ter me sentido cabalmente satisfeita os desejos e quem sabe os prazeres! sou eternamente agradecida por Rute ter corrido os dois quarteirões e peço humildemente que um dia ela saiba que é perfeita para o fim que se destina...sou absolutamente agradecida e encatadíssima por ter tido a oportunidade de ir longe, bem longe, onde há toda a beleza escondida, gozar o ameno do fim de tarde e respirar o deleite aprazível dos novos ares. gratidão, meu Deus, gratidão pela lealdade e pelo amor que vim aprender; que eu tenha meios de me espalhar vagarosamente no ar da Era do Amor convidando toda gente a aprender de mão dada comigo. amém!
um ps: na bíblia, Rute foi compensada por seus sacrifícios, deram-lhe de comer e onde deitar, conheceu um homem de bom coração que não a censurava, fartou-se. foi acolhida sob asas do rei, serena e amada. na vida, não sei, mas sei rezar...

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