terça-feira, 10 de agosto de 2010

a avareza é madrasta de si mesma

meu querido, mais uma carta. mais uma. quero que você saiba que sua quietude me preocupa. tenho aqui três alianças de ouro branco marcadas com meu nome por três artesãos diferentes e ainda fico quebrando pedras pra conseguir comprar uma só nossa; tenho aqui um banquete à moda vitoriana e também me sirvo de bons vinhos mas ainda queimo meus dedos cozinhando batatas pra que você consiga, consiga não, tente, acordar mais forte a cada manhã; tenho um poeta que se embriagou, assumo o mea culpa, de tanto querer e não me poder; tenho um grande artista cheio de grandes mistérios querendo me pintar, nua. e eu aqui, sem tentar descobrí-lo! não é uma queixa. é um alívio te encarar como um amor fraquinho, fraquinho...
alívio sim!, respiro fundo e mantenho todos os meus contatos extra compromissais pra não perder o hábito de viver vadiamente, te dou toda a corda que tenho e a que eu não tenho...fica pra depois. quero a minha boemia e a minha alegria grudadas em mim enquanto você não deixar de avareza e escolher sair desse mundinho noglow que você venera cegamente...tenho paciência de jó, entende, amo fazer amor quando você resolve o experimentar, então fico na miúda, sei mais ou menos o quanto deve ser doloroso pra alguém como você, tão pomposo, ter até essa altura do campeonato apenas uma certeza: para o avarento, a sua natureza já é um castigo cruel. Avaro acerba poena natura est sua.
me distraio com latim e chandon, besou!

2 comentários:

<_/´\_/`\__>~ tss