quarta-feira, 28 de julho de 2010

lumia meu caminho, vovô, lumia pra eu não chorar...

lembra daquilo, "você desagua em mim, eu oceano"? eu oceano no nosso oceano de delírio, no nosso campo minado, que delícia, rs, eu amava viver assim em estado de fúria e de amor eterno, cada hora que passava era uma grande novidade e nem precisávamos sair de casa...nem queríamos. sinto falta do tempo em que eu ficava só dois segundos preocupada com a minha constante ausência do mundão, passados os dois segundos eu só queria te cobrir de beijos e descobrir meu gozo em cada cantinho seu, queria cantar "você desagua em mim , eu oceano..."
lembro quando eu chegava no seu palácio, eu dava algumas risadinhas por dentro, aquele seu mundinho era incrivelmente bem montado e mesmo que de vez em quando eu morresse de vontade de te desmascarar com a maior elegância do universo, na maior parte do tempo eu te achava todo lindo e adorava aquele cheirinho de feijão cozinhando que deixava a casa e a calçada tão convidativas...
eu amava de morrer de amor quando te via de pijaminha vindo abrir o portão pra que eu entrasse no seu forte, ai, você parecia indestrutível com aquele montante de tecnologias em sua volta, com aquele sotaque barato!, com aquelas histórias...te perdoava toda manhã, acordava e pedia pr'aquele solzão que você ignorava te iluminar nesses caminhos tortos, pra que nosso sol te fizesse lúcido algum dia, ô painho, não deixe-o rir com tamanho descontrole...
eu tenho saudade, morro de saudade daquelas missivas com destinatário absoluto, tudo que eu escrevia era você, tudo que eu lia era você, tudo que eu coloria era você. ou tudo que eu tentava.
não é com a liberdade devida que me espalho nessa declaração pública de afeto (!), fico toda tímida tentando tapar com essas mãos cheias de feridas os meus seios, o meu umbigo; tão notável a minha falta de tato agora, o pouquinho de tristeza que contorna toda a nostalgia, se você lesse até imaginaria a candeia do meu corpo trancada, assim como só eu não consigo impedir...vê-se também que eu bem tento, ô painho, alguém nesse mundo há de saber que eu tento a benevolência, mas não dá, saudade é feita de tristeza e sem um tiquinho de tristeza não há samba que viva!
tudo bem, hino, continuo militante no quesito babilônia, entende. continuo aqui, em pé, mãezinha me fez de aço, sorrio sempre por nunca ter conseguido desabilitar a minha maior missão nessa vida: ILUMINAR.
eu espero que um dia você me perdoe...afinal, perdoar é mais bonito pra quem perdoa do que pra quem pede perdão.

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