quinta-feira, 22 de julho de 2010

Consolatrix afflictorum

hoje acordei num só pulo porque precisava explorar essa sensação mítica imediatamente, como uma manifestação do meu subconsciente extremo conseguiu me deixar eufórica e reticente, cristo!, preciso saber logo que fazer com esses sonhos malucos porque esse meu niilismo recente - e com causas gravíssimas! - é o único niilismo do mundo que exije uma explicação e essa explicação não vem, que fazer. eu experimentei a morte dos sentidos do mundo e me senti rainha, eu vi quando todos os sólidos se espalharam pelo vento que se deslocou em todos os sentidos...contrários aos meus. dissolvi-me.
que fazer com esses presentes inspiradores? o cordeiro veio até o cafundó do judas, e olha que ele nem se dá com judas, pra me dar um gato gigante como oferenda, branco meu gato, gigante, anda com elegância daquelas de berço, onipotente onipresente, ganhei um Deus!, mas que fazer que fazer. tive um sonho monstruoso de lindo e o mais intrigante é saber que essa influência extremamente positiva do kósmos não é vã...que fazer que fazer. nem que eu dê um corte de casimira a Odin eu saberia, ENIGMA. um enigma cabeludo, como "a cor do tempo", qual a cor do tempo? qual a cor do meu maior sonho? blue stone, eu digo, mas nem aquele azulão do Yves é imersível diante da abissal ausência de proibições desse sonho.
eu me sabia anã e ponto final, com um grupo de crianças anãs que eu já conhecia de tempos anteriores eu visitava uma construção tão maltrapilha quanto os que a ocupavam os pequenos espaços iluminados, ambiente tão pedantesco e afetado que me confundia toda hora: vez em quando eu escutava umas críticas ralas direcionadas a um presidente que na verdade nem existia nem governava bulhas, só era coisa da cabeça daqueles solitários, eram usuários de qualquer coisa pior que anfetamina, cheiravam enxofre, cristo!, mas não era o inferno, eram as escórias, mas nada de inferno, precisavam de ajuda, só isso...iludiram-se no passado com promessas de bons professores-maus homens, entende. quem sabe aquele meu amigo que apareceu me pedindo as mãos "quanto tempo não te vejo, menina, que mãos tratadas, como você é bonita, menina, quanta saúde", ele dizia com bondade de quem quer me devorar em um minuto e meio pra dar tempo de sentir meu gostinho de quase castidade. mas espera, eu não era anã? essas escadas intermináveis mas subindo-as eu não pareço anã, pareço criança. sou criança meu deus, como colocam uma criança numa cova dessas, cadê a mãezinha?
aqueles ruídos confessos e aqueles olhos sem métodos me assustavam, tá, eu sei que precisava vir aqui, até implorei pr'aquele meu amigo "vem comigo, menino, vem comigo eu te levo daqui, você tá delirando?, pára, vem pra casa comigo eu te tiro daqui!", mas n-a-d-a, quem disse que esse bonde do inocentes queria admitir que lamentar não ia adiantar em nada? subi as escadas, eu não era mesmo anã, cheguei ao topo daquela cova e vi mamãe me esperando toda ausente e toda orgulhosa de me esperar, olhei pra baixo pra me certificar de sei lá o que e vi que ali era tudo sobre a falta, toca inócua, o-c-a. uma pena que finalmente se fez doer em mim, me despedi só em pensamento: "si precisas una ayuda, si te hace falta un consejo..."
segui. não! uma pausa, de repente um auditório homérico na imponência e eu sozinha, jogaram tinta cor-de-rosa em mim esses putos nojentos, ninguém aparece agora, só sabem mexer comigo em silêncio, putos!, tudo que fazem é assim, nas entrelinhas, entende. desci as escadarias quando aquele show que mais é colo-pra-burguês chegou no intervalo pro meu alívio e encontrei todas as poucas pessoas que já odiei fundamentalmente por alguns segundos nessa vida. confraternizavam e riam dourados, gozavam branquíssimos. podres. falavam sumeriano pra mim porque desde que os odiei aprendi a audição seletiva, que continue assim amém! corri. encontrei três amigas que vivem caladas, essas chatinhas, comiam com o dedo mindinho ereto, aquela elegância que se tem em festas de casamento...ana luisa vieira de oliveira, canta did you changeee yooourr sooouul e larga mão desses coitados, volta a sonhar. tá.
voltei. encontrei mamãe e naquele momento e, de praxe!, tinha encontrado o hino da minha existência, e ia tatuar aquilo no peito pra que eles se orgulhassem de alguma coisa, Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem, Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem sempiternam!, minha alma metamorfoseava tentando alcançar alguma plenitude...eu cor.
cheguei de jipão com mamãe na direção a um campo de uma amplitude que só se tem pras obras de caridade em sonho mesmo, ali haviam duas construções razoáveis em andamento, uma torre de babel e um campo de futebol. o mundo era imiscível...tentei ajudar mas eu estava em transe, não dava não nada. vi lá longe aquela cova que mencionei anteriormente e me assustei quando percebi que de lá saiam rastejando zumbis, eram todos zumbis aqueles pobrezinhos, mas tinham crescido demais no tamanho, meu deus! eram gigantes. percebi que eram todos gigantescos.
trouxeram-me um gato branco de longas barbas de presente, o gato era inveterado. os olhos infinitos feito o mar, a cor era de mar também, inspirava profundidade não por causa da inclinação sutil do corpo de longos pêlos quando me cumprimentou em silêncio, mas por ter sido radicado em todos os mistérios da história da humanidade. aqueles olhos. eram sutilmente investigadores mas ninguém tinha que saber disso, era um gato de boa lei. minha transe resolveu parar num pélago de sensações, explicaram: "ele é o seu protetor". eu tinha que ferí-lo com um punhal o ventre para que fosse meu, para que unisse com todos os conhecimentos de um ancião e a bondade de um bebê numa bolha eternamente todas as forças deliciosamente positivas contidas no espaço do tempo...para me enaltecer. eu não sabia nada de nada, mas "que sabe a flor da raíz"?, segui sem intermediários com a minha missão e fui feliz...
ganhei o mítico do pobre de espírito e acendeu-me faróis o cego, Consolatrix afflictorum!

2 comentários:

  1. chega, não quero que passe mais um dia sem falar contigo.

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  2. Eu apoio fielmente a escrita e o desejo de colocar nela nossos sentimentos , daquele modo 'sub-entendido' ... Amei o texto e me emocionei..

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<_/´\_/`\__>~ tss